Começou na tarde desta segunda-feira (21) a reconstituição do desaparecimento e da morte de Gabriel Marques Cavalheiro, 18 anos, depois de uma abordagem da Brigada Militar em São Gabriel. A expectativa é que a parte prática, que inclui refazer os últimos passos do jovem, ingresse ao longo da noite.
O caso, que ganhou repercussão nacional, aconteceu em agosto deste ano. Três policiais militares são investigados por envolvimento no caso.
Técnicos do Instituto de criminalística do Instituto-Geral de Perícias (IGP) de Porto Alegre foram a São Gabriel para fazer o exercício de reprodução simulada dos fatos, como é chamada pelo IGP. Foram ouvidas cinco testemunhas e os três policiais indiciados. As testemunhas chegaram na Delegacia de Polícia de São Gabriel por volta das 14h, para serem ouvidas pelos peritos.
Os três policiais, os soldados Cleber Renato Ramos de Lima e Raul Veras Pedroso e o sargento Arleu Júnior Cardoso Jacbosen chegaram minutos antes das 16h, com um forte esquema de segurança. Eles estavam em uma van da Brigada Militar. Vestidos com roupas civis, os três desceram pela porta de trás da viatura e caminharam por um pequeno espaço de menos de 2 metros para ingressar rapidamente na delegacia. Eles são réus na Justiça Militar pelos crimes de ocultação de cadáver e falsidade ideológica.
Segundo o IGP, o objetivo da realização da reconstituição é apurar se os fatos se deram da forma como narrados pelos suspeitos e pelas testemunhas de acordo com as provas periciais. Este é o último passo antes da conclusão do laudo pericial. O trabalho começou a tarde com os depoimentos na delegacia.
O pai de Gabriel, Anderson Cavalheiro, afirmou ao Bei que a família iria acompanhar toda a reconstituição, que deveria começar no Bairro Independência, onde o jovem foi abordado pela guarnição da Brigada Militar no final da noite de 12 de agosto. O caso aconteceu na Rua Sete de Setembro. Após ser algemado e colocado na viatura, Gabriel desapareceu. O corpo foi encontrado uma semana depois em uma barragem, com marcas de agressão.
Segundo a assessoria do IGP, a imprensa teria de ficar em uma área isolada a 200 metros dos locais onde a reconstituição seria feita. Segundo a perícia, os locais a serem estudados dependem do que cada testemunha ou investigado falará aos peritos.
Uma das testemunhas é o trabalhador rural Paulo Tobertk Medina dos Santos, 57 anos. Ele conversou com Gabriel pouco antes da abordagem:– Eu estava na esquina quando o Gabriel chegou. Ele disse que estava faceiro porque iria servir o quartel em São Gabriel e tinha o sonho de cuidar dos animais em uma cocheira.
Até a publicação desta reportagem, a reconstituição não havia começado.
Entenda o caso
Gabriel Marques Cavalheiro, 18 anos, desapareceu por volta da meia-noite do dia 12 de agosto, no Bairro Independência, em São Gabriel. Segundo o relato de uma moradora, ela teria chamado a Brigada Militar (BM) após o jovem ter forçado a grade da casa dela e tentado entrar no local. Os policiais foram até o endereço, abordaram, algemaram Gabriel e o colocaram no porta-malas da viatura. Depois disso, o jovem não foi mais visto.
O corpo de Gabriel Marques Cavalheiro foi encontrado no dia 19 de agosto, em uma barragem na região conhecida como Lava pé. Os três policiais militares que abordaram o jovem foram presos na noite do dia 19 de agosto, e foram encaminhados ao Presídio Militar de Porto Alegre, onde estão presos desde então. O laudo do exame de necropsia apontou que Gabriel morreu devido a uma hemorragia interna na região do pescoço, provocada por uma agressão, e que não haviam indícios de afogamento.
Os soldados Cleber Renato Ramos de Lima e Raul Veras Pedroso e o sargento Arleu Júnior Cardoso Jacbosen são réus na Justiça Militar pelos crimes de ocultação de cadáver e falsidade ideológica.